quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Memphis Rock Bar – São Paulo/SP



Fim de ano, época de celebrações, encontros, presentes e, claro, das indefectíveis festas de firma. Aqueles eventos onde a presença e a diversão são obrigatórias e todos têm que confraternizar como se todos fossem grandes amigos, quando na verdade a grande maioria mal se bica. Onde todos comem e, principalmente, bebem a valer e sempre alguém faz algo para ser comentado nas rodinhas maledicentes no dia seguinte.
Na minha atual agência não poderia ser diferente e tal efeméride aconteceu no Memphis Rock Bar, em Moema. Com um clima retro style, homenageava ícones da música, de Jim Morisson a Agnaldo Timóteo, por mais bizarro que isso pudesse aparecer. De qualquer forma a música era agradável, tocando diversos clássicos dos anos 80 e 90.
Em meio a papinhos quebra-gelo e deliciosos quitutes eis que percebi que, na falta de um amigo secreto, teria assim mesmo um presente para entregar. Mas não ali, no camarote com praticamente toda a agência presente e sim, em um lugar mais privado. Ou na privada, se preferir.
Localizado nos fundos do bar, os banheiros são de fácil acesso e mantém o clima vintage, seja pelo roqueirinho logo na entrada, seja pelo Elvis que já deve ter testemunhado poucas e boas por ali. 
Felizmente, apesar do clima antigo, o banheiro era bem novo, com piso de porcelanato e paredes azulejadas. Mesmo com luz apagada, a iluminação era suficiente. Ainda no teto, uma saída de ar impedia que qualquer cheiro a mais entrasse por ali.
Outro ponto positivo foi o fato de ter protetor de assento descartável à disposição, o que evita desperdícios de papel higiênico na hora de forrar o mesmo. Aliás, o papel também não comprometia, sendo daqueles de rolo, em um compartimento adequado.


Tudo combinandinho, vaso, assento e cesta de lixo ornavam com todo o resto do ambiente. Com tantas facilidades, não tive maiores dificuldades em terminar rapidamente ali o meu objetivo e logo voltar para a pista de dança para ensaiar alguns passinhos virtuosos junto à trupe que já havia armado uma singela rodinha e divertiam-se a valer.

Cotação: 4 privadas*
*Sendo 1 privada péssima e 5 privadas, ótima!

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Starbar Inn Restaurante – Monte Verde/MG



Após um pequeno hiato e alguns protestos dos meus 5 ou 6 leitores durante esse período de constipação criativa, eis que o Já Caguei Aqui volta em grande estilo trazendo um post duplo, direto do restaurante mais alto do Brasil, localizado no Starbar Inn, em Monte Verde.

Recanto aprazível em meio às montanhas mineiras, Monte Verde era um cenário mais que perfeito não apenas para uma viagem romântica com minha linda – e nova - namorada, mas também para a realização de um desafio ímpar: conhecer os banheiros mais altos do pais.

Seria o fantasma da altitude um problema em minha busca pela latrina perfeita?

Situado há 1850 metros,  o Starbar Inn Restaurant e Pousada é uma aventura desde sua subida morro acima, numa região de preservação ambiental permanente no ponto mais alto da Serra da Mantiqueira e com diversos picos, como o Chapéu do Bispo,  Pedra Redonda e Pedra Partida, que chegam a mais de 2000 metros de altura.

Como a gente tinha acabado de almoçar, a vontade de entrar mata adentro para conhecer ao vivo todos esses picos era simplesmente nula. Contudo, aquela estalagem era perfeita para matarmos nossa sede com caipirinhas feitas com limões da terra, sem contar a maravilhosa vista da montanhas que tínhamos ali mesmo, na própria varanda do local.

Sedentarismos à parte, enquanto saboreava minha bebida, percebi que minha visita poderia ser ainda mais gratificante. E, colocando o copo e a preguiça de lado, segui até o final da varanda onde estavam os banheiros.

O Starbar tem um clima meio rústico, meio riponga até. Possui aquele clima “Eu quero uma casa no Campo” e o banheiro não poderia ser diferente: praticamente uma casinha com duas portas, uma para cada gênero, feitas de alvenaria e com cores que já foram vivas. Provavelmente não fruto de um detalhado estudo de cores e hábitos do consumidor, mas sim porque eram aquelas que eles tinham à mão quando passaram a demão de tinta. 


A simplicidade continuava na fechadura, apenas uma correntinha safada, presa a um prego, para não pegar ninguém de calças na mão. A caixa d’água era daquelas de plástico, que encontramos em qualquer loja de material de construção, assim como seu vaso e assento, brancos e do modelo mais básico. O teto, direto na telha, proporcionava a iluminação natural, em conjunto com a janelinha.


Seu lixinho, lotado, mostrava que o lugar até que era bem utilizado, mas não cuidado o suficiente. Curioso mesmo era o banquinho, feito a partir de um tronco de árvore, que deve servir para o viajante colocar suas coisas enquanto faz o que tem que fazer por ali. Até porque não dá para imaginar alguém sentadinho esperando sua vez, batendo papo com o outro no vaso.


A pia, do lado de fora e entre as duas portas, dava o toque de classe final, com uma toalhinha de pano única para enxugar as mãos.

Quando tudo caminhava para um final de relato sem maiores percalços, eis que fomos surpreendidos por uma chalaça do destino: o lugar não aceitava cartão de crédito. O que poderia ser um problema, foi resolvido pela hospitalidade da atendente do local que gentilmente disse para deixarmos o dinheiro na pousada que ela própria buscaria. Tocados pela fidalguia da moça, prometemos voltar no dia seguinte. E, o que poderia ser apenas um almoço inocente, revelou-se uma revanche à altura do local.

Cotação: 1,5 privada*

Dia seguinte estávamos eu e minha consorte de novo no mesmo Starbar. O domingo passava devagar e um almoço cairia perfeitamente naquele momento mágico do dia. Encontramos nossa gentil atendente que, após um sorriso de satisfação por achar dois paulistas honestos, anotou nosso pedido e nos deixou a sós, curtindo a vista. O problema é que ainda havia algo entre nós: o bas-fond da noite anterior dava sinais que queria sair de meu corpo. 

Um tanto contrariado por ter que repetir a figurinha do sábado, achei que fosse uma oportunidade para uma segunda opinião. Ledo engano.  Ao chegar lá, encontrei tudo como antes, menos papel higiênico. Contrariado e apertado, voltei à mesa, para logo descobrir com nossa atendente – que à essa altura já ganhava status de anjo – que havia um outro banheiro, dentro da pousada.


Não sei se era um banheiro coletivo do lugar e que acabou exclusivo para os funcionários ou vice-versa, mas já era totalmente diferente do encontrado no lado de fora. 


A começar que era todo em madeira, o que dava a ele um charme todo especial. Seu piso era metade com azulejos, metade com concreto cru. Simples, mas de coração.


Se o problema no banheiro de fora era papel higiênico, nesse tinha de sobra. Poderia ter um piripiri daqueles que ainda poderia pegar o restante, me enrolar e sair dali fantasiado de múmia.





O vaso já era de uma qualidade bem melhor, com a caixa d’água acoplada na parte de trás. O assento, rosado, dava um ar pueril, especialmente quando combinado com o cesto de lixo, da mesma tonalidade.


Na sua porta, pichações palhacitas detalhavam todos os nomes possíveis para o lugar, de toalete a banheiro, entre outras definições ininteligíveis.

Porém, a maior prova de que aquele banheiro já tivera outra utilidade era o seu box, bem ao lado do vaso. Daqueles mais simples, de acrílico se não me engano, me deixou intrigado o tempo todo que estive ali. Parecia ter um mundo de coisas lá dentro, fazendo às vezes de depósito improvisado. Fato este que pude comprovar, colocando a câmera por cima dele.

A pia, desta vez dentro do recinto dava um pouco mais de privacidade ao término de minhas atividades ali. A toalha, entretanto, um tanto quanto amarelada e nojenta, fez com que eu finalmente voltasse para os braços da minha namorada aliviado, embora com as mãos molhadas.


Cotação: 2,5* privadas.
*Sendo, 1 privada péssimo e 5 privadas, ótima.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

A&C Sushi Bar – São Paulo/SP

São Paulo deve ter a maior quantidade de restaurantes japoneses por metro quadrado do país. Digo isso sem nenhuma base de dados ou aferição de qualquer sorte, mas o fato é que sempre tem um “japa” perto para você matar a vontade de comer temakis, sushis, sashimis, uramakis e afins num nababesco rodízio.

Entre os que já tive o prazer de conhecer, existe um na zona norte da Capital chamado A&C Sushi Bar, onde fui almoçar num desses sábados da vida. Vindo de Campinas e morto de fome, parecia uma boa pedida para um almoço tranquilo. Muito bem ambientado, com detalhes em madeira e decoração minimalista, o A&C era tudo que eu precisava para começar bem o fim de semana. Bom, isso mais um banheiro.

Enquanto não começavam a chegar os pratos, fui até ele. Localizado mais ao fundo do estabelecimento, o WC do local era todo em madeira, inclusive suas paredes e divisórias, e indicado por apenas por um peixe azul. Não prestei atenção, mas provavelmente o banheiro feminino deve ser, no mínimo, um peixe com detalhes em rosa.


Ao entrar temos um corredor onde encontram-se a pia e o espelho, que formam uma espécie de ante-sala da cabine. Para chegar a ela, é preciso dar a volta noutra parede de madeira para, enfim, chegar a seu objetivo. Nada muito longe, é verdade, porém um tanto labiríntico demasiado para quem está apertado.
 
A cabine em si seguia a decoração minimalista do restante do A&C, vide seu chão em piso cru e a parede pintada de forma estilosa. Assim que abri a porta, obviamente de madeira e de trinco simples, agradou-me de cara o fato de ter um compartimento para papel para assentos cheio, artigo ainda raro nos banheiros em geral. O papel higiênico era daqueles que já vem em pedaços e de boa qualidade. O lixinho, preto, não combinava muito com os outros elementos, tampouco comprometia.
Uma vez lá dentro, o espaço para manobras é adequado às necessidades. Sua luz é indireta, de uma luminária instalada na parede. No teto, preto, um exaustor cumpria a sua missão de fazer com que quaisquer odores mais radicais deixassem aquele recinto.
Também reparei que no vaso havia aqueles desinfetantes que se penduram nas bordas. Tenho que admitir que deu um clima meio botequento para o lugar.
Terminada a minha sessão ali, apertei a descarga, daquelas de caixa d’água que – ainda bem – estava cheia. Ficaria muito chato eu deixar, justamente num restaurante japonês, uns peixinhos nadando por ali.

Cotação: 4 privadas*.
*sendo 1 privada, péssimo e 5 privadas, ótimo.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Haras Canarin - Bauru/SP

Por Gláucio Machado, correspondente.


Enfim, chega o dia mais esperado de qualquer aluno universitário: o dia da formatura!
Mas afinal, o que é formatura?

Procurando nos dicionários mais famosos, podemos encontrar a seguinte definição:
Formatura: for.ma.tu.ra - sf (do latim formatura) 1 Ato ou efeito de formar. 2 Aprovação no último exame de um curso de grau superior. 3 Festa onde você pode encher a cara junto com os seus amigos, na frente dos seus parentes e não ter que se preocupar com nada.


Pra quê toda essa história? Muito simples a resposta: para mais um post do Já Caguei Aqui!

Convidado por um grande amigo nipônico, rumei para a cidade sanduíche (ou simplesmente Bauru, para os menos iluminados), acompanhado de diversos outros, para um fim de semana cujo ponto alto seria sua festa de formatura, regado a muito churrasco, biritas e, claro, dança da bicicletinha. Fanfarronices à parte, sábado à noite todos já estavam prontos, alinhados e munidos de garbo e elegância para a tão esperada celebração.

Ao nos dirigirmos ao local da festa, sinto um leve desconforto estomacal indicando que algo de bom não estava para acontecer. O pior era que, quanto mais próximo, mais desconfortável eu me sentia. Para meu desespero, porém, quando chegamos havia uma fila enorme de carros aguardando a liberação do estacionamento. Consigo estacionar o carro, encontro com os amigos e vamos rumo à festa. Ao entrarmos, um amigo sugere de procurarmos a mesa. Sem deixar a bola cair, rebato a sugestão com um educado “Boa sorte. Eu vou procurar o banheiro”.


Ao adentrar ao recinto pensei que meu momento de angústia havia terminado, mas ao ver as cabines, percebi que estava puramente enganado. Me senti na “Porta dos Desesperados” do Sérgio Mallandro, pois haviam três cabines: a número 1 sem porta e sem papel higiênico, a número 2 com um saco preto embrulhando a bacia e a número 3,  aparentemente normal.

Já dentro da cabine 3, me deparo com um pequeno problema: a porta mal fechava, impossibilitando o alinhamento da tranca, não sendo possível travar a porta.


A bacia e seu respectivo assento brancos e limpos, papel higiênico no devido lugar, cesto de lixo vazio. Tudo normal para um início de festa.

Além do ponto negativo para a porta, o chão também leva outro, merecidamente. A festa havia começado há pouco tempo e os pisos brancos eram quase marrons! A luminosidade do local era bastante baixa, porém não desabonava o local. Havia outros fatores mais preocupantes na hora, como por exemplo, segurar a porta.


Após executar o trabalho com sucesso, me dirigi à mesa e aproveitei a festa junto dos amigos, inclusive o dono do JCA.

Cotação: 1,5 privadas*.
*sendo 1 privada, péssimo e 5 privadas, ótimo.

PS: Por pouco este post tem uma dupla avaliação.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Boteco São Bento – Campinas/SP


Bastante conhecido pelo público paulistano, o Boteco São Bento abriu suas portas em meados de outubro de 2009 em Campinas, no badalado bairro do Cambuí.  Com a mesma vibe positiva de seus outros endereços, o bar logo se tornou ponto de encontro e uma ótima opção para juntar os amigos, curtir bons momentos e boa música.

Durante minha estada pela cidade, logo me tornei um frequentador assíduo do local. E, desde que conheci o seu banheiro, percebi logo o seu potencial. Contudo, chalaças do destino me impediam de realizar meu objetivo: uma câmera sem bateria, um alarme falso... Enfim, após tantos encontros e desencontros, finalmente num domingo qualquer o cenário estava propício para uma visita mais profissional.

Eram um pouco mais de 4 da tarde e eu mais dois amigos, sedentos após um almoço nababesco, resolvemos de dar uma esticada até o bar e para continuar jogando conversa fora e, claro, apreciar uma bela garrafa de rum. Era um plano perfeito, mas a natureza tinha outros planos para mim. Havia chegado a hora da verdade.
Atravessando o salão, logo à porta de entrada do banheiro, uma bela ilustração já demonstrava o bom gosto do que estava por vir lá dentro. Adornado por pastilhas pretas e brancas, duas cabines e alguns mictórios, o ambiente estava limpo – ajudado pelo horário, claro – e apropriado para aquele momento mágico.


À minha direita não pude deixar de refletir sobre uma prática muito comum nos banheiros de bares desse naipe, que é a reutilização dos limões usados nos drinks nos mictórios com gelo. Apesar de parecer politicamente correto, é impressionante como são incrivelmente baratas as frutas no Brasil, em comparação a outros lugares no mundo já que, além de usarmos fatias de laranjas ou limões em nossos refrigerantes, ainda temos a pachorra de mijarmos em cima deles sem dó nem piedade. Tenho certeza que devemos chocar alguns gringos que nos visitam com esse desprendimento todo.


Um vaso branco, elegante no conjunto com os ladrilhos negros e o piso xadrez me esperava dentro da cabine. Para completar, paredes de granito e uma porta de madeira escura imaculada fechavam o quadrilátero.


A luz indireta não atrapalharia uma eventual leitura. A lixeira era simples, mas ornava com todo o restante, assim como o papel que, senão me deixou maiores lembranças, tampouco me incomodou. Para dizer que não haviam defeitos, constatei que faltavam duas pastilhas do piso. Souvenir ou má colocação? Nunca vou saber.


Outro ponto negativo eram os produtos de limpeza expostos abaixo da bonita pia de mármore, que ia praticamente de um canto a outro da parede.


Um lugar hoje de saudosa memória e que espero visitar ainda muitas vezes, mesmo que sendo apenas como um “turista acidental”.

Cotação: 4,0 privadas*.
*sendo 1 privada, péssimo e 5 privadas, ótimo.

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Restaurante Varandas – Campinas/SP


Era para ser um dia normal na agência. Os trabalhos de sempre, os problemas de sempre, até que um acontecimento aparece e nos tira da rotina, criando situações inusitadas. Nesse dia em especial, aconteceu que, logo pela manhã, faltou água. Se eu estivesse numa escola, com certeza teria sido dispensado e voltaria para casa. Porém, a propaganda é uma profissão essencial para a sociedade e não pode parar. Outrossim, todos nós ficamos ali durante a manhã, muitos com sede apenas, outros, como eu, passando apertos intestinais e ávido por um banheiro.

O sofrimento durou até pouco mais de meio-dia, quando eu e meus amigos armamos o famoso bonde do almoço rumo ao Centro, a fim de variar um pouco o cardápio. Um deles, consciente dos parcos recursos dos integrantes, sugeriu um restaurante simpático de esquina, chamado de Varandas. Nome criativo e sagaz, provavelmente fruto das duas varandas que formavam o estabelecimento.

Apesar da situação delicada, sentia que poderia passar incólume até a volta. Foi quando avistei o banheiro do recinto. Exótico já na sua porta. Fiquei tentado. Olhei com aquela cara de “vou, não vou” e compartilhei meu drama com os presentes. A turba, sempre prestativa, deu tanto apoio à empreitada que um deles chegou a emprestar seu celular para tirar as fotos apresentadas aqui.

Enfrentei o desafio. Como muito dos lugares alternativos onde íamos matar a fome, já imaginava o que poderia encontrar. E, para minha surpresa, era tudo que eu esperava.  Não fosse agora a vontade exponenciada pela curiosidade, teria resistido mais bravamente.


O banheiro é do estilo de boteco, daqueles bem sujinhos, onde você só faz o número 1, com a distância necessária apenas para acertar o vaso e sair daquele ambiente fétido. Felizmente não era o caso, contudo, o chão molhado indicava que, ou fora lavado de forma meio porca ou porcos eram os habituées do local, vítimas de uma péssima pontaria. Considerando os odores, diria que era uma mescla dos dois.


Reparando melhor no ambiente, era evidente que ele era bem antigo. A começar pelos azulejos meia-barra, o pé direito alto, vazado próximo do teto com o banheiro feminino. Uma ótima ideia do arquiteto: querer que homens e mulheres compartilhem esse momento tão sublime na vida de todos nós.


Já o vaso e assento, provavelmente estavam instalados ali desde a última mini-reforma no local – pareceu-me que os pisos haviam sido mudados, mesmo que isso tivesse acontecido há muito. A pia, por outro lado, deveria ser tombada ou ser colocada naqueles museus onde são mostrados os costumes e hábitos de outrora.


A descarga, à válvula, resistia à ação do tempo com dignidade. Era daqueles modelos Hidra, com a proteção redondinha, tal qual um capô de Fusca. A porta, já não podia dizer o mesmo, já que a fechadura parecia mais um enfeite e a trinco não resistiria a um tranco mais forte.


Uma bela surpresa foi o papel higiênico, com uma qualidade que destoava do resto do conjunto e que era usado sem dó, visto que a lixeira vinha quase até a boca.

Juntando a fome com a vontade de comer, terminei rapidamente meu serviço e voltei para a mesa, onde meus bons amigos me esperavam sequiosos para ver se tinha feito o que tinha que fazer por ali.

Cotação: 1,5 privadas*.
*sendo 1 privada, péssimo e 5 privadas, ótimo.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Hard Rock Café – Recoleta, Buenos Aires/Argentina


Quando achava que havia reportado todas as minhas visitas pelos banheiros da terra de Maradona, eis que me deparo com essas fotos do penúltimo dia de viagem, em um lugar que tinha curiosidade em conhecer desde a minha adolescência: o Hard Rock Cafe.

Lembro saudoso dessa época, em que era moda entre a molecada usar camisetas do Hard Rock Cafe dos mais variados lugares, como Paris, Los Angeles, Las Vegas, entre tantos outros. Muitos realmente tinham a oportunidade de ir ou tinham parentes que traziam de presente, mas a maioria mesmo a gente sabia – era comprada nas melhores lojas piratas do ramo. Acho que a sinceridade seria muito mais divertida e eu até teria uma camiseta do Hard Rock Brás.

Venenos e divagações à parte, fiquei louco quando descobri que já tinha ido a Buenos Aires e sequer tinha sabido da existência do famoso bar, fato que resolvi compensar dessa vez.

Chegando ao local, as minhas expectativas foram sobejamente preenchidas. Era uma espécie de “pub família” onde podia-se ver várias mesas com famílias com filhos pequenos, nas quais os pais ensinavam desde cedo aos infantes o valor do verdadeiro rock n’roll. Devidamente instalado, acertei o pedido, beberiquei uma caipirinha já saudoso do Brasil e fui agregar mais uma lembrança inesquecível para aquele evento especial, ou seja, ir ao banheiro.

As instalações ficam subindo as escadas. Dali, além de uma visão geral de tudo, percebi que o bar era maior do que eu pensava, com uma parte dele fechada com mais mesas à disposição. O clima meio pub também se demonstrava na decoração do banheiro, com uma porta de madeira escura, bem sóbria. Sobriedade esta que também percebi ao adentrar o recinto, tanto pelos pisos e azulejos, bem como em todas as cabines.


Assim como o restante do banheiro, a cabine que eu escolhi aleatoriamente estava bem limpa. Ali dentro, pude constatar que a decoração mais sóbria também pode ser chamada de antiga, visto que o assento já sentia as marcas do tempo.


Tirando isso, entretanto, o resto estava muito bem conservado. Na porta, nenhuma pichação. A lixeira em aço escovado colada à parede, dava um toque de modernidade e combinava com o porta papel higiênico logo acima e a válvula de descarga.


O que destoava daquilo tudo era a qualidade do papel higênico. Praticamente transparente, ainda por cima era uma verdadeira lixa, digna de barzinhos, daqueles mais vagabundos. É uma economia na base da porcaria, visto que por causa disso somos obrigados a usar mais papel para uma higiene decente.


O movimento, praticamente nulo, me permitiu tirar fotos sem maiores transtornos. Assim, deu para perceber o aspecto meio “camarim” do espelho de frente às pias.


Cumpri meu objetivo e na saída, descobri mais uma curiosidade argentina que poderia ser muito útil no Brasil. Na parede havia uma espécie de medidor de nível alcoólico. Você coloca uma moeda e assopra na máquina, provavelmente numa piteira descartável. Deixei o banheiro pensando como isso seria útil em tempos de lei seca e que o tempo de sexo e drogas estão cada vez mais longe do rock n’roll.


Cotação: 4 privadas*.
*sendo 1 privada, péssimo e 5 privadas, ótimo.