terça-feira, 22 de setembro de 2009

Hibiscus, Praia de Ipioca/AL

Nada como fazer algumas loucuras bem sensatas de tempos em tempos. Foi com este espírito que eu resolvi de torrar algumas milhas do cartão fidelidade e passar dois dias de bon vivant em Maceió, a partir de uma oferta irresistível da TAM. Uma decisão que se mostrou mais que sensata naquele final de semana, estatelados ao sol, ouvindo apenas o vai-e-vem magnífico das ondas do mar.

Após conhecer o litoral sul do estado no dia anterior, aproveitei o domingo na Praia de Sonho Verde, lugar belíssimo e mais que perfeito para recarregar as energias para a segunda-feira que já me espreitava na pauliceia. Já no retorno à Maceió, resolvi de aproveitar a dica de uma amiga e visitar o Hibiscus, bar e restaurante de frente para a Praia de Ipioca.

Dentro de um condomínio fechado, o estabelecimento realmente vale a visita. É um lugar para se passar o dia, com lounges de descanso e tudo o mais para o seu conforto. O problema, na verdade, eram dois. O primeiro é que o dia naquelas bandas parece acabar um pouco mais cedo – lá pelas 4 da tarde o sol começa a ir embora e as pessoas idem. O segundo, que os garçons já não estavam com a menor vontade de atender clientes de última hora como a gente.

Com ou sem atendimento, o lugar era ótimo e aproveitei ali mesmo o final da tarde. A estrutura do lugar era tão boa que me fez lembrar que desde a outra praia estava querendo deixar uma lembrança no vaso mais próximo. Nem pensei duas vezes: antes de ser mandado embora, tratei de ir ao banheiro em frente.

Assim como o restante do restaurante, o banheiro também apresentava uma decoração rústica-chique, com vários detalhes em madeira, das portas a pedaços de troncos envernizados e usados como colunas para as cabines.

A iluminação, entretanto, não era das melhores. Talvez pelo horário e talvez pelo fato de eu não ter achado um interruptor à mão, tive que improvisar naquele ambiente à meia-luz. Nada que realmente atrapalhasse uma vez já instalado. O revestimento das paredes, meia-barra, e o chão eram de piso frio, simples, mas atuais. O vaso e o assento brancos e também o rolo de papel daqueles presos à parede também eram bastante funcionais. As duas pias logo em frente às cabines, além de um mictório solitário completavam de modo básico e eficiente as instalações.

Olhando o cardápio minutos depois de deixar aquele banheiro, percebi que os preços eram os mais salgados daquela viagem até então. E, de repente, deixei de fazer questão de ser atendido: desfrutei  da paisagem de graça e saí tal qual entrei sem pagar patacas.

Cotação: 3,5 privadas*
*sendo 1 privada, péssimo e 5 privadas, ótimo!

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Viação Cristália - Entre Campinas e São Paulo/SP


Após uma semana em Campinas, eis que já era hora de voltar para estrada. Assim, sábado logo pela manhã, fui até a bonita rodoviária local para pegar um ônibus para São Paulo, onde passaria o sábado e domingo, em um sistema de bate-e-volta que se tornaria rotineiro dali para frente.


Era pouco antes das 11 da manhã quando finalmente entrei no ônibus. Alternativo que sou, deixei de pegar o tradicional Cometa para escolher a valorosa Viação Cristália que sairia um pouco antes. Uma decisão que se mostrou inútil, já que meu ônibus não só chegou atrasado, como ainda saiu depois dele. De qualquer forma, fiquei feliz com O Estado de São Paulo que ganhei logo ao entrar, já que quase 2 horas de viagem podem ser bem maçantes, especialmente sem uma boa leitura.


Seguimos pela Anhanguera, rodovia que não leva mais trema e que me levou para vários destinos nestas minhas andanças. Tamanha intimidade com o percurso, aliada às poucas curvas da estrada e a um catalizador clássico como a leitura de um jornal, fez com que surgisse aquela vontade de ler o caderno de Esporte noutro lugar. Mais precisamente no banheiro, que estava bem ali, ao meu lado.


Tomado pelo impulso, não pensei duas vezes e fui fazer a experiência. De cara, fiquei fascinado pelo total aproveitamento do espaço minúsculo, repleto de compartimentos para serem descobertos. A vista da estrada também era privilegiada da janelinha ao alcance das minhas mãos. Além disso, o assento também era preso por um sistema de molas, que só baixava quando fosse realmente utilizado. Traquitana esta que poderia ser utilizada também em banheiros de casais em que a mulher vive reclamando do seu companheiro, que nunca levanta a tampa do vaso na hora do nº 1.


Sentei e esperei a natureza seguir seu curso, quando percebi que estava por forçar uma barra, por assim dizer. Não era possível. Tal qual Baloubet Du Rouet, refuguei. Pior, tal qual Mercadante, revoguei o que parecia ser irrevogável. Um misto de frustação e prisão de ventre tomou conta de mim, que saí em seguida da cabine. Voltei para minha poltrona, refletindo sobre a oportunidade perdida de um post inusitado. Parecia o fim mas, antes da chegada à Capital, descobri que meu intestino é brasileiro e não desiste nunca.




Voltei para dentro para terminar aquele negócio não resolvido, desta vez com o Caderno 2 na mão. Foi aí que constatei que, mesmo pequeno, eu até que tinha espaço para me movimentar com um certo conforto. Voltei a atentar a praticidade do local a partir do próprio vaso. 


Apesar de ser feito de um material parecido com fibra ou algo assim, sua "cuia" era metálica, provalvelmente a fim de facilitar a sua limpeza posterior. Todo o resto do ambiente ao meu redor usava essa mesma fibra. À minha frente, havia uma barra que devia ser usada, tanto numa manobra mais brusca do ônibus, bem como quando fosse preciso fazer uma força a mais ali. Um pouco abaixo dela, encontravam-se os compartimentos de onde saia o papel higiênico e a lata de lixo, acionada por um pedal, ao alcance do meu pé esquerdo.


Atrás de mim, à esquerda, estava uma pequena pia, bem funcional também, além do espelho e a própria descarga. Dispositivo, aliás, que não sei se é movido à vácuo ou por algum outro sistema, porém, diferente de tudo que havia utilizado até então. 




Na dúvida, em um gesto de boa vizinhança com os poucos passageiros do ônibus, mantive a janelinha aberta para evitar maiores constrangimentos. 


Entre suspenses e reviravoltas, no final tudo acabou bem. E me deixou curioso para, um dia, descobrir como devem ser os banheiros dentro dos aviões de carreira.


Cotação: 3,5 privadas*

*sendo 1 privada, péssimo e 5 privadas, ótimo!


quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Bar Manga Real - Campinas/SP



Vida nova de novo em 2009. Em um ano onde a rotina passou longe, nada como celebrar minha primeira semana em Campinas de uma forma insólita: em um happy hour no bar Manga Real, em plena segunda-feira.


Ao chegar, meu amigo que gentilmente me ofereceu guarita nestes primeiros tempos, gentilmente já me esperava numa mesa com dois copos de uísque com Cola-Cola ou, simplesmente, whiscola para os mais iniciados. Logo em seguida chegariam outros companheiros de copo, para uma noite de muita música sertaneja, quitutes e boas risadas.


Eram, sem dúvida, novos tempos. Nada como estar entre amigos, em uma terra que já conhecia de outrora. E de tantos banheiros que usei e abusei, antes de iniciar o Já Caguei Aqui. Portanto, usar o banheiro da casa naquela noite, não era apenas uma questão de sair do aperto: era também um acerto de contas com o passado.




Nesse momento, o movimento do bar já começava a crescer e, nos banheiros localizados ao lado do palco, não era diferente. Entrei no masculino e de cara vi as duas cabines onde poderia realizar meu trabalho. A primeira delas, de tamanho normal estava ocupada, o que me sobrou, novamente, a reservada a deficientes físicos. Não pude deixar de pensar em um certo déjà vu na situação. Mas, no final, percebi que aquele vaso era perfeito para mim, pois naquele momento estava com necessidades bem especiais.


Sendo assim, entrei e aproveitei o amplo espaço interno da cabine. As barras de acesso, contudo, davam a impressão de estarem um tanto carcomidas pela ferrugem. Outra decepção foi encontrar o compartimento onde ficaria os papéis para assentos vazio. 




O restante da decoração era formada por azulejos pretos, meia-barra, que combinavam  com o piso, de coloração mais azulada. Logo acima da barra e do vaso onde me encontrava, havia um registro, que acabou sendo prático deveras na hora de pendurar a jaqueta que prendia meus braços ali. Feitas de fórmica de cor neutra, as cabines eram simples, tal qual a sua tranca. O interessante era o vão entre a cabine e o chão que, apesar de sua base estar enferrujada, podia ser de grande valia, na hora de pedir um pouco de papel higiênico, numa eventual emergência.



Saí de lá com sensação de ter acertado minha dívida com os banheiros campineiros, com o garbo e elegância que me é peculiar. Agora é questão de encontrar todos os outros e pagar com juros e correção sanitária.


Cotação: 3 privadas*

*sendo 1 privada, péssimo e 5 privadas, ótimo!

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Ribeirão Shopping - Ribeirão Preto/SP



Últimas horas em Ribeirão Preto, após um mês de peripécias, boas histórias e muito trabalho. Estava numa correria danada, fazendo malas, pagando contas, enfim, levantando o acampamento para resolver tudo antes do meio-dia e pegar a estrada para a longa viagem de volta.


Apesar do saldo positivo da experiência, sentia naquela manhã de segunda uma certa melancolia, que só fazia crescer, à medida que as horas passavam, chegando ao ponto de ficar desconfortável. Foi quando percebi que não era melancolia o que estava sentindo. Tudo não passava de um mais chamado do meu corpo para que a natureza seguisse seu curso.


Como estava tirando dinheiro para os 2578 pedágios entre Ribeirão Preto e Santos no Ribeirão Shopping, aproveitei o ensejo para visitar um dos muitos banheiros do local. Pela proximidade de casa, já havia percebido o potencial daqueles lavatórios mas, até então, nada digno de um relato. Entretanto, quis o destino que, logo no último dia, eu encerrasse minha aventura na califórnia brasileira em grande estilo.


Como todos eram iguais em tamanho e estilo, optei por entrar no primeiro que eu achei. Era um belo de um sanitário, grande e espaçoso. Logo à esquerda de quem entra, estão cerca de 15 mictórios, bem distribuidos e divididos por uma parede; as pias e as cabines, mais à direita. Ao entrar na primeira que vi disponível, a primeira decepção: sujo. Ainda estava cedo, mal havia passado das 11h e já estava naquele estado, todo molhado. O bom é que não faltavam cabines, deviam ter outras dez disponíveis, então parti tranquilamente para a seguinte. 




Esta, mais limpa, já estava mais de acordo com o que eu esperava. Espaçosa, possuia pisos e azulejos de qualidade e modernos, como o próprio shopping. Continha, também, logo acima da cabeça, uma prateleira de granito, do mesmo material das divisórias entre uma cabine e outra. O porta papel higênico e o lixinho, apesar de não ser novidade, ornavam muito bem no conjunto da obra. Fiquei impressionado deveras com a válvula da descarga, meio high-tech, que não decepcionou na hora de ser acionada. Por último, a luz indireta e a música ambiente davam um ar mais intimista, num momento que tudo que você mais quer é estar consigo mesmo.




Dei descarga na minha melancolia e saí de lá com corpo e espírito mais leves. Foi com essa sensação que deixei o Ribeirão Shopping e, horas mais tarde, a cidade de Ribeirão Preto, certo do dever cumprido e pronto para novas aventuras, em busca da latrina perfeita.


Cotação: 3,5 privadas*

*sendo 1 privada, péssimo e 5 privadas, ótimo!

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Panificadora Skalla - Ribeirão Preto/SP



Passar um mês em Ribeirão Preto foi uma experiência emocionante em todos os sentidos. A começar pela minha chegada na cidade, após 3 horas de viagem e ter pago todos os pedágios do mundo, antes de ir direto para a nova agência.


Era normal que eu estivesse mais que ansioso, não apenas para começar, mas também para achar o local, em um cronograma que não poderia ter erros. Estranho mesmo, era a já desesperadora vontade de ir ao banheiro que tomava conta de mim àquela hora da manhã ao volante.


Por sorte, consegui achar sem muita dificuldade o endereço, estando lá meia hora antes do combinado. Que alívio! Não seria de bom tom, tampouco apropriado, me apresentar em um emprego novo todo apertado tal qual estava. Sendo assim, aproveitei o ensejo para fazer um reconhecimento das rendondezas. Não deu para ser nada muito elaborado, obviamente, tanto pelo horário, quanto por minha situação periclitante. Foi aí que, na esquina da avenida, avistei uma padaria que poderia me servir bem e, quiçá, me servir sempre.


Infelizmente, não era bem esse o caso. A Panificadora Skalla tinha um aspecto simples e servia almoço também, como pude perceber pelas mesas dispostas. Já sabia para onde sair ao meio-dia, mas banheiro que era bom, nada. Encontrei uma boa alma que trabalhava lá, que finalmente me indicou os fundos do estabelecimento. 


Estava claro: não era um banheiro aberto à clientela. De qualquer forma, fui surpreendido pelo banheiro masculino estar simplesmente desativado. Sem pestanejar, abri o banheiro feminino e entrei. Era um local estreito, tipo com 1,5m de largura por 3 de comprimento e pé direito alto, com a pia logo na entranda e o vaso lá no fundo, meio abandonado, até. 



Minhas suspeitas sobre a restrição do banheiro se confirmaram já que vi uma touquinha que as meninas usam no balcão esquecida lá em um gancho na parede. Parecia limpo, no geral. Aliás, tão limpo que havia sido inspecionado e aprovado pelo Centro de Zoonoses local, o que suscitava dúvidas sobre que tipos de animais frequentavam os banheiros dali.




O papel higiênico, o vaso em si e o lixinho eram simples, mas de coração. Problemas mesmo tive com a descaga. Tenho que admitir que fiz um belo estrago na louça, entretanto, a pressão da válvula era muito fraca. Fiz o que pude para não deixar vestígios da minha presença lá. Contudo, no final, limpa mesmo só ficou a minha consciência.


Saí de lá com a sensação de que, após minha insólita visita, o banheiro feminino da padoca ficaria também interditado naquela manhã.


Falha nossa: no afã de sair rapidamente do local, acabei por esquecer de fotografar o vaso. Fica pra próxima.



Cotação: 2 privadas*
*sendo 1 privada, péssimo e 5 privadas, ótimo!

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Outback Shopping Anália Franco – São Paulo/SP



Nada como comparecer em um aniversário onde o presente quem ganha é você. Foi nesse clichê tosco que pensei ao seu convidado para um almoço de aniversário no Outback, do Shopping Anália Franco. Assim, o que poderia ser apenas um compromisso normal tornou-se uma deliciosa oportunidade de colocar meus instintos ogros em ação, detonando um Ribs on the Barbie, batatas, sobremesas e afins.

Cheguei lá sem maiores percalços, na tradição abrir os lugares na hora do almoço. Não precisei sequer pegar fila pela mesa, já tinha uma pronta me esperando. Espera mesmo, pelos convidados que estavam a caminho. A caminho, também, havia algo em mim prestes a sair down under e que não podia mais esperar. Então, à francesa, fui descobrir o que um banheiro tipicamente australiano poderia me oferecer.



As instalações em si eram mais simples do que eu pensava. Haviam alguns quadros que remetiam à terra dos cangurus e tudo, porém não havia uma decoração específica para o local. Parecia, inclusive, que seu piso e azulejos de parede seguiam o padrão do shopping, o que para mim foi decepcionante. Mesmo assim, era tudo bem asseado, dentro dos padrões do restaurante.



O papel higiênico era daqueles que já sai aos pedaços, contudo, dessa vez vinha acompanhado também de protetores de assentos, o que facilitou e muito o trabalho naquela hora de aperto. A porta e suas divisórias eram feitos de compensado de uma cor meio de burro quando foge e possuía uma tranca de plástico, que fazia bem a sua função. Tanto a válvula quanto a lixeira, cromados, destoavam do restante do ambiente, que poderia ser muito melhor aproveitado.



De qualquer forma, para o que eu tinha que fazer estava ótimo. A cabine tinha um tamanho bom, fazendo que eu passasse apenas os apertos com os quais a natureza me inflingia. Pude terminar a tarefa sem mais delongas, com a satisfação de dever cumprido.

Cotação: 3,5 privadas*
*sendo 1 privada, péssimo e 5 privadas, ótimo!

terça-feira, 30 de junho de 2009

Pinguim – Ribeirão Preto/SP


Ir a Ribeirão Preto e não conhecer o Pinguim é como ir a Roma e não ver o banheiro do Papa. O bar e restaurante, ao lado do imponente Teatro Pedro II é, desde 1936, um dos principais pontos de encontro da cidade e seu chopp é considerado pelos seus frequentadores o melhor do Brasil. Polêmicas à parte, eu que nem gosto de chopp, estava mais preocupado naquele sábado em saborear uma suculenta feijoada, iguaria que ainda não tinha tido o prazer de experimentar desde minha chegada à califórnia brasileira.

Destarte, fui até o Centro encontrar o tal Pinguim. Para um ponto turístico tão famoso, até que uma sinalização a mais cairia bem, já que o caminho não é dos mais fáceis. Contudo entre trancos os barrancos de quem ainda está se adaptando numa cidade nova, cheguei sem maiores percalços.

O bar, lotado, realmente é muito bonito. Dava a impressão que havia sido reformado não fazia muito tempo, sem perder o charme inicial. Me arriscaria, inclusive, em dizer que possuía um ar meio "sépia" de ser. Consegui logo uma mesinha aconchegante, numa posição que não poderia ser mais estratégica: de um lado, o bar, onde os lendários chopes eram retirados; do outro os banheiros, onde eu senti que tinha um depósito a efetuar. Pedidos anotados, era hora de eu cumprir a minha missão ali.


Amplo e espaçoso, o banheiro segue a a decoração do restante do bar. Com azulejos brancos cobrindo toda a parede, lajotas de mesma cor no chão e paredes de granito entre as cabines, mantinha o aspecto limpo mesmo com o alto consumo de chopp, o que já é uma vitória e tanto. Uma vez que a cabine comum estava ocupada, acabei por usar a de deficientes físicos, espaçosa e com barras fixas, do jeito que deve ser, para permitir a entrada de cadeirantes e afins de forma decente.


Apesar do assento meio torto, o restante das instalações não apresentavam maiores problemas. O papel higiênico, daqueles que já vêm cortadinhos, só seriam perfeitos se acompanhados daqueles outros, feitos especialmente para forrar higienicamente o assento. O cesto de lixo, feito em aço escovado também era estiloso deveras.



A porta, bem cuidada, também estava imune de rabiscos e a tranca era nova, bem firme. Além disso, a luz indireta dava um ar ainda mais tranquilo para que eu fizesse o que tinha que fazer ali sem maiores delongas.

Voltei para a minha mesa e para a caipirinha que já me esperava ali. E que poderia recorrer aos banheiros do Pinguim, sempre que receber um chamado da natureza.

Cotação: 3,5 privadas*
*sendo 1 privada, péssimo e 5 privadas, ótimo!

sábado, 20 de junho de 2009

Chopp Santista – Santos/SP



Semifinais do paulista e o Santos enfrentaria o Palmeiras no caldeirão da Vila Belmiro. Infelizmente não havia comprado ingressos para ver o o jogo ao vivo, então resolvi assistir o clássico no Chopp Santista – um dos principais lugares de concentração de torcedores na cidade e onde já pude presenciar grandes jornadas esportivas, tanto da seleção brasileira, como do glorisoso Santos Futebol Clube.

Já sabendo que o lugar estaria lotado, cheguei às 15h, para garantir uma boa mesa. Na TV, apenas uma partida do campeonato francês, que os poucos presentes ali não davam a menor pelota. O tal o jogo só foi terminar faltando poucos minutos para as 16h e, quando pensei que se abririam as cortinas e os artistas entrariam em cena, um dos garçons troca o canal para o início de outro jogo, agora do campeonato italiano.

Foi neste momento que vendo meu leve desespero, outro garçom me informou que o certame só teria início às 18h10. Impossível não ficar com cara de tacho. Faltavam duas horas para o jogo e eu não tinha nada o que fazer, a não ser esperar. Quer dizer, eu na verdade até tinha um algo mais para fazer, dentro de uma cabine do banheiro masculino.



O Chopp Santista é um bar/balada, com banda ao vivo e tudo mais nos fins de semana. E faz tempo que não vê uma boa reforma. Prova disso é o seu banheiro, um tanto quanto judiado, após tantas noitadas de intenso movimento. As marcas desse movimento percebem-se, desde da porta, com queimadura ou lago do gênero, dobradiças enferrujadas e sem tranca. Até a sua válvula de descarga não tinha proteção alguma.



Ainda assim, o banheiro, pequeno, ainda mantém sua dignidade. Naquele estilinho bar retrô que é moda em tantas cidades, tem suas paredes revestidas com azulejos brancos até a altura das portas, o que me eu chamaria de um pouco mais de uma meia-barra. Apesar de não possuir tranca, me sentia seguro, uma vez que meus joelhos quase batiam na porta, de tão apertado. Entre uma cabine e outra – eram duas no total – uma divisória de ardósia cumpria bem o seu papel.

Na parte de trás da porta não havia as célebres pixações, porém tinha um comunicado do próprio Chopp tão impagável quanto, dando dicas do naipe “tente acertar o vaso, você consegue, ou “não importa o seu nível de álcool, outros usarão esse local", o que já indica que o bar é frequentado, em sua maioria, por pessoas de relativo garbo e elegância.



À esquerda de quem entra, estão duas pias, brancas, para que eu pudesse terminar meus serviços de forma mais higiênica possível. E, ao seu lado, noutra parede, uns dois mictórios, onde não podia deixar de imaginar como tem cara que ainda consegue errar algo daquele tamanho.

Um lugar, que apesar de tudo, tem lugar cativo no meu coração e de muitos santistas. Por isso mesmo, devia ser melhor valorizado por todos nós.

Cotação: 2,5 privadas*
*sendo 1 privada, péssimo e 5 privadas, ótimo!

segunda-feira, 8 de junho de 2009

O'Malley's Pub - São Paulo/SP



Época de aniversário é sempre meio estranha. Você começa a avaliar sua vida, quais rumos tomar e, especialmente, o que fazer para que a data não passe em branco. Nesse ano, resolvi comemorar com meus amigos em um de meus lugares favoritos na paulicéia, o O’Malley’s, pub irlandês, localizado próximo à avenida Paulista.

Era uma noite de sábado e, justamente nesse dia, o bar não aceitava reservas. Assim, apesar de ter combinado com meus amigos que as festividades teriam início às 22h, tive que chegar um pouco antes das 20h para guardar uma mesa e ter uma base para receber todos os presentes.

Aproveitei espera dos convivas para fazer uma espécie de esquenta para o evento principal. Pedi um porção para acompanhar meus Jack Colas, enquanto uma banda tocava noutro ambiente. Tudo corria bem, até que o primeiro presente da festa resolveu de se formar inesperadamente dentro de minhas entranhas.

Eu já conhecia bem aqueles banheiros, inclusive já o havia usado com aquelas segundas intenções. Ainda assim, era hora de olhá-lo com outros olhos e não apenas com o cego.


O banheiro escolhido, o do fundo, próximo à escadaria para as mesas de sinuca, era pequeno, mas suficiente para o local. Haviam duas cabines, além de dois ou três mictórios à direita de quem entra. Decorado com lajotas grandes, no chão e nas paredes, não era exatamente novo, contudo estava longe de estar passado.

Apesar de ainda ser cedo e o movimento do bar ainda estar longe da sua capacidade total, o chão apresentava sinais de sujeira. Exceção a isso, o restante do ambiente estava em boas condições de uso. Uma vez sentado, reparei que a porta quase pegava os meus joelhos, o que pode ser um problema para quem tem mais de 1,83 m. O porta papel higiênico, cromado, combinava com a válvula de descarga, mas nem tanto com o cesto de lixo, feito de plástico.


Faltava uma leitura interessante. Uma pena que o cartaz afixado logo acima da válvula na altura dos olhos de quem faz suas coisas de pé, quando todos nós sabemos que nesses casos a leitura funcionaria muito melhor para quem está sentado.


Enquanto realizava meus trabalhos, não pude deixar de perceber o fundo musical, que tocava Whiskey in the Jar, do Mettalica. Era o heavy metal dando uma forcinha mais que necessária ao heavy duty que realizava ali. Mal sabia eu que a trilha daria o tom da fanfarrônica celebração que estava por vir, horas mais tarde.

Cotação: 3,5 privadas*
*sendo 1 privada, péssimo e 5 privadas, ótimo!

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Espaço Unibanco de Cinema, São Paulo/SP


Era para ser apenas mais um domingo qualquer de fevereiro. Assim, após um delicioso almoço, estava de bobeira na paulicéia, quando tive a ideia de pegar um cineminha à tarde. Assim, desci a Av. Augusta e adentrei no Espaço Unibanco de Cinema, lugar simpático e sempre com boas opções de filmes.
Na programação, um filme com várias indicações ao Oscar, “Foi Apenas um Sonho”, com Leonardo DiCaprio e Kate Wislet. Parecia a opção mais interessante e também começaria em meia hora, o que uniu o útil ao agradável. Sem muita escolha, aproveitei para dar uma visitada na livraria lá dentro mesmo.
Acabou que essa espera que, em princípio, poderia ser uma maçada − maçada? Devo estar lendo muito Nelson Rodrigues – para mim fora de grande valia. Isso pelo fato de que o almoço, apesar de ótimo, tinha rebatido meio errado no estômago e já estava louco para sair. Com esse incidente em vista, totalmente fora da programação, os livros pra lá e fui ao banheiro masculino, no hall principal.

Chegando mais próximo, algo me deixou intrigado de cara: fila no banheiro masculino? Como todos sabemos, esse tipo de coisa só acontece nos femininos e já percebia nos meus companheiros de espera o mesmo pensamento. Foi aí que percebi que o banheiro era, literalmente, uma portinha, resumindo-se a somente um vaso e uma pia. Estava mais uma vez naquelas situações em que não havia escolha. Dessa forma, coloquei o constrangimento de lado e entrei para fazer o que tinha que fazer.
Lá dentro, percebi que não era tão pequeno como parecia de fora e era, até certa forma, confortável. Suas paredes, forrada por azulejos brancos, com alguns detalhes em azul, eram comuns a tantas outras, assim como o papel higiênico daqueles de rolo, protegido em um compartimento adequado.
Novidade mesmo era que, ao seu lado também havia outro, com papel especial para o assento. Ainda raro na grande maioria dos banheiros é uma opção que não apenas contribui e muito para a higiene, também evita aquela situação ridícula de ficar cortando pedacinhos de papel higiênico para colocar no assento antes de começar qualquer coisa.
Não havia janelas, apenas um sistema de ventilação que não ia dar conta certamente do que eu estava fazendo ali. Por isso mesmo, demorei um pouco mais que esperava e saí sob os olhos de reprovação da fila, imensa para os padrões masculinos. Mas pena mesmo, tive do infeliz que era o próximo da fila, que teria que enfrentar a bomba biológica que ainda pairava no ar lá dentro.

Consciente da gafe, entrei rapidamente no escurinho do cinema, em busca de um final feliz, antes do início da sessão.

Cotação: 3 privadas*
* Sendo, 1 privada péssima e 5, ótima!
PS: em breve mais fotos.
PS2: o filme em si não era tudo isso.

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Aeroporto Pinto Martins, Fortaleza/CE


19 de janeiro. Após 12 dias intensos e de muitas aventuras por lugares incríveis, eis que minha jornada por terras cearenses chegava ao seu final. E essa volta seria non-stop, saindo 2 da tarde de Jeri para parar apenas já em São Paulo, um pouco antes das 6 da matina do dia 20.

A viagem para Fortaleza ocorreu sem maiores sobressaltos. Mesmo, assim, 7 horas são 7 horas e o corpo acaba dando sinais de cansaço, de fome e, claro, que iria precisar de um banheiro. Por sorte, essa vontade última acabou por começar quando estávamos na cidade. Por outro lado, me privou de tentar experimentar o banheiro do ônibus, uma vez que naquele momento era impossível qualquer investida, devido ao fluxo de passageiros que atrapalhavam a passagem e que só faziam sair de ponto em ponto.

Um tanto frustrado, pacientemente esperei até o ponto final, já na rodoviária. Chegando lá, contudo, aconteceu o que eu temia: o banheiro era pago. Por uma questão de honra, desdenhei o banheiro, minhas pernas que começavam a trançar e corri para o táxi mais próximo, rumo ao aeroporto.

Por sorte, o Pinto Martins não era longe dali e pude controlar meus impulsos sem maiores preocupações. Fui deixado praticamente em frente ao guichê da TAM e pude fazer meu check-in rapidamente. Sem o trambolho da mala, encontrei logo o banheiro, um pouco mais à direita, meio escondido no final do prédio. Apesar da iluminação meio esquisita, pensei comigo, “vai ser aqui mesmo”.


Não sei se era por estar, literalmente, num canto do aeroporto, aquele banheiro tinha um apecto abandonado. Pode ser que o fato de o saguão estar praticamente deserto naquele ponto ajudasse nessa minha sensação. De qualquer forma, era limpinho e eu não estava com tempo nem saco de procurar uma segunda opção. Lá dentro, suas paredes e chão escuros contribuiam com esse aspecto pesado, meio fantasmagórico, até. Como imaginei que somente um espírito muito zombeteiro resolveria me azucrinar num momento daqueles, dei início ao processo.

Enquanto dava conta dos meus afazeres, não pude deixar de reparar que no teto, também escuro, parecia ter uma colônia de ácaros, fungos e afins que viviam ali desde a inauguração do aeroporto.



O vaso, papel higiênico e descarga em si apresentavam mais do mesmo. O assento, meio amarelado, parecia que tinha conhecido mais bundas peludas que um proctologista, porém ainda mantinha um certo conforto.


Por uma chalaça do destino, minha série de posts de férias tinha que terminar também num aeroporto. E, por motivos diferentes, acabaram coincidentemente com a mesma nota.

Cotação: 2,5 privadas*
*sendo 1 privada, péssimo e 5 privadas, ótimo!

terça-feira, 5 de maio de 2009

Vila Kalango – Jericoacoara/CE

Última tarde em Jeri e a maratona de mais de 10 dias tomando sol e de pé na areia começavam a fazer efeito. Já não tinha mais tanta paciência para aquele calor todo e delirava com a possibilidade de estar num shopping center qualquer, curtindo todo o conforto do ar condicionado e um piso lisinho, só para variar. Pensava em heresias desse naipe, no momento em que alguns de meus amigos mochileiros do Piauí me chamaram para ver alguns deles numa aula de windsurf.

Apesar da empolgação deles, o preço do minicurso estava tão salgado quanto a água da praia logo em frente, o que me fez desistir de participar. Dessa forma, fiquei incumbido de ser o fotógrafo oficial da parte teórica na areia, o que era tudo, menos empolgante. Pior, à medida que ia me entendiando ao ouvir como se equilibrar, manusear a vela e tudo o mais, ia me dando uma vontade incomensurável de procurar um banheiro.

Estava numa situação delicada. Não podia deixar a câmera jogada lá, enquanto eles entravam no mar. Tampouco podia levá-la embora, pois mal sabia onde eles estavam hospedados. Era um dilema que fazia trançar minhas pernas, quando outro mochileiro, esse de Pernambuco, apareceu. Foi a minha salvação – como também era brother deles, deixei com ele a missão de registrar aqueles momentos, enquanto eu ia registrar outro bem mais importante logo ali.

O logo ali no caso era a Vila Kalango, pousada e restaurante de alto padrão, onde os piauienses contrataram o instrutor. Visto que tinha um restaurante e era todo aberto eu, tal qual um cachorro que entra numa igreja, fui entrando como se fosse um dos hóspedes, passando pelas mesas já vazias – eram cerca de 4 da tarde – indo direto e reto para o corredor que me levaria ao banheiro.


E não é que acabou sendo uma escolha mais que acertada? As instalações seguiam uma espécie de decoração rústica-chique. Era tudo feito, basicamente, de barbantes, palhas e madeira trançada, entre quatro paredes bem espaçadas de tijolos, que davam a impressão (e só a impressão, claro) de serem sem acabamento. O chão, daqueles batidos, tinha uma coloração meio mostarda, também interessante.


O vaso, simples, ornava com o restante do local, mas era acompanhado de uma duchinha, para casos mais extremos. O papel higênico era de boa qualidade e tinha ao seu lado uma plaquinha bilíngue, o que mostrava a quem aquele restaurante desejava receber na verdade.


Sua iluminação, toda indireta vinha, parte das frestas da janela acima do vaso, parte das luminárias que ladeavam o espelho. A toalha era limpa e felpuda, uma raridade. E a pia, era uma bacia reaproveitada de modo bastante criativo, bem como a colocação do encanamento e da torneira.


Em meio a tantos banheiros exóticos que experimentei durante aquela viagem até então, esse veio para redimir todos os outros com louvor. Considerando a sofisticação da pousada, deve ser meio caro fazer suas necessidades ali. Mas definitivamente vale a pena, especialmente quando é de graça.

Cotação: 4,5 privadas*

*sendo 1 privada, péssimo e 5 privadas, ótimo!

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Sítio Paraíso - Jericoacoara/CE

Após tantas excursões durante minha estada em Fortaleza, já estava meio de saco cheio de passeio turístico. Porém, Jericoacoara tem lá as suas belezas e eu precisava vê-las com meus próprios olhos. Pensava nisso quando apareceu no hostel um grupo de mochileiros do Piauí, querendo fechar um grupo para num combo que incluía, a priori, a famosa Pedra Furada, passeio pelas dunas e as lagoas Azul e Paraíso.

Pelo custo x benefício da coisa, até que foi divertido. E a parada para o almoço no restaturante Sítio Paraíso, de frente à lagoa de mesmo nome, veio na hora exata. Isso porque não só a fome já batia forte, mas também o balanço da jardineira pelas dunas havia batido fundo no estômago e me deixado pronto para conhecer o banheiro mais próximo.

Saí à procura pelas dependências do local e nada. Foi nessa hora que percebi que ele ficava numa casinha separada do resto do complexo. Sem muita escolha, fui me acostumando com o estilo roots do local e fiquei mais à vontade para fazer o que tinha que fazer por ali.

Ao entrar na cabine, me embasbaquei de cara: havia um plástico envolvendo todo o assento. Será que logo num banheiro tão simples encontraria algo tão raro até em WC’s mais sofisticados? Não, realmente não era esse o caso e aquele era filho único por ali. Vai ver algum gringo de passagem e extremamente prevenido trouxe consigo um kit higiene para evitar germes ou coisas piores. De qualquer forma, tirei a traquitana e o substituí pelos sempre eficientes papéis higiênicos.


De resto era tudo extremamente funcional. O azulejo meia-barra, a descarga de cordinha... Agora o papel higiênico não fazia jus ao nome, colocado num cantinho no chão. E, considerando que já estava em um ponto de não retorno do processo, tive que improvisar com o que tinha ali. A iluminação era natural e vinha do espaço entre a cabine e o telhado, o que dava também uma maior ventilação ao recinto.


Um banheiro certamente melhor qualificado para a realização do nº 1 do que para o nº 2, mas que pode ser útil deveras, dependendo do seu espírito de aventura.


Cotação: 2 privadas*

* Sendo 1 privada, péssimo e 5 privadas, ótimo!