quarta-feira, 29 de abril de 2009

Sítio Paraíso - Jericoacoara/CE

Após tantas excursões durante minha estada em Fortaleza, já estava meio de saco cheio de passeio turístico. Porém, Jericoacoara tem lá as suas belezas e eu precisava vê-las com meus próprios olhos. Pensava nisso quando apareceu no hostel um grupo de mochileiros do Piauí, querendo fechar um grupo para num combo que incluía, a priori, a famosa Pedra Furada, passeio pelas dunas e as lagoas Azul e Paraíso.

Pelo custo x benefício da coisa, até que foi divertido. E a parada para o almoço no restaturante Sítio Paraíso, de frente à lagoa de mesmo nome, veio na hora exata. Isso porque não só a fome já batia forte, mas também o balanço da jardineira pelas dunas havia batido fundo no estômago e me deixado pronto para conhecer o banheiro mais próximo.

Saí à procura pelas dependências do local e nada. Foi nessa hora que percebi que ele ficava numa casinha separada do resto do complexo. Sem muita escolha, fui me acostumando com o estilo roots do local e fiquei mais à vontade para fazer o que tinha que fazer por ali.

Ao entrar na cabine, me embasbaquei de cara: havia um plástico envolvendo todo o assento. Será que logo num banheiro tão simples encontraria algo tão raro até em WC’s mais sofisticados? Não, realmente não era esse o caso e aquele era filho único por ali. Vai ver algum gringo de passagem e extremamente prevenido trouxe consigo um kit higiene para evitar germes ou coisas piores. De qualquer forma, tirei a traquitana e o substituí pelos sempre eficientes papéis higiênicos.


De resto era tudo extremamente funcional. O azulejo meia-barra, a descarga de cordinha... Agora o papel higiênico não fazia jus ao nome, colocado num cantinho no chão. E, considerando que já estava em um ponto de não retorno do processo, tive que improvisar com o que tinha ali. A iluminação era natural e vinha do espaço entre a cabine e o telhado, o que dava também uma maior ventilação ao recinto.


Um banheiro certamente melhor qualificado para a realização do nº 1 do que para o nº 2, mas que pode ser útil deveras, dependendo do seu espírito de aventura.


Cotação: 2 privadas*

* Sendo 1 privada, péssimo e 5 privadas, ótimo!

terça-feira, 14 de abril de 2009

Pousada Tirol – Jericoacoara/CE


15h em Fortaleza. Após despedir-me de meu companheiro de viagem, que voltaria naquela noite para São Paulo, eis que iniciava a minha viagem solo para Jericoacoara. A aventura já começa no próprio trajeto, cerca de 6 horas de ônibus, mais 1 hora numa “jardineira”, um caminhão adaptado com bancos na carroceria, por entre dunas e mais dunas. É você, literalmente no meio do nada e num breu danado, ao som do motor, que contrastava somente com o silêncio sepulcral dos passageiros, muitos deles gringos, provavelmente com receio de que se o motorista quisesse, eles nunca mais seriam vistos vivos, no melhor estilo “Turistas”.

Mas tudo isso compensa quando você entra na vila. Eram mais de 22h30 e, do nada, aparece a ruazinha principal, feita somente com a própria areia da praia, toda iluminada pelo comércio, barzinhos e repleta de pessoas, falando todas as línguas do mundo. É simplesmente mágico e só quem conhece lá pode explicar. Mágica que também tive que fazer, ainda que meio abestalhado com aquilo tudo, para levar minha mala de rodinhas por aquele areial todo até a minha pousada, na outra rua.

Chegando na Tirol, tratei de ver o quarto que eu dividiria com mais 3 elementos, que variariam umas duzentas vezes durante toda a minha estada. Os três da vez estavam no décimo sono, assim, tratei de deixar a mala e sair para um primeiro reconhecimento do local. Encontrei a praia, a duna do pôr-do-sol, além de vários carrinhos de bebida, onde fiz logo amizade e, sedento, pedi as primeiras Cubas daqueles dias. Mas, como já era quase 1 da manhã, meu corpo pedia por um descanso pelas horas de ônibus e, principalmente, por um assento no banheiro mais próximo, antes de dormir.

Uma vez que não queria acordar meus colegas de quarto e, à primeira vista, o banheiro do quarto estava um aguaceiro só, resolvi enfrentar o externo, utilizados por quem acampa no albergue.


Tenho que admitir que o aspecto selvagem dele me instigou logo de pronto. Ele era todo feito de palha entrelaçada e madeira, enquanto que por dentro, suas divisões eram de alvenaria. Uma árvore no meio do local funcionava como uma coluna principal. Seu chão era de piso batido, vermelho, daqueles que se encontra apenas em casas bem antigas ou simples. Suas paredes, coloridas, davam um aspecto ainda mais pitoresco. Nada que se compare ao papel higiênico, pendurado de forma engenhosa, em um dos cantos. O vaso deve ter algum histórico de abusos, uma vez que ao seu lado havia um desentupidor pronto, caso a caixa d’água não aguentasse o tranco.




O local era bem ventilado e a noite estava mais que agradável para que eu realizasse minhas atividades, ao som do coachar das pererecas que eu encontrei pelo caminho, mesmo tendo escolhido o banheiro masculino. E, com tantas peculiaridades, ele ainda conseguia ser limpo e agradável o bastante para que eu pedisse bis, sempre que necessário. Recomendável, tanto para os gringos que querem um contato maior com a natureza no nosso Brasil varonil, quanto para quem apenas responde um chamado da natureza.

Cotação: 3,5 privadas*

*sendo 1 privada, péssimo e 5 privadas, ótimo!

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Mercado Central, Fortaleza/CE



Últimas horas em Fortaleza e eu e meu amigo resolvemos pegar nossas últimas forças e dar uma volta pelo centro da cidade, seguindo algumas dicas de nosso guia do dia anterior. Entre elas, estava a visita ao Mercado Central, lugar onde se encontram todas aquelas quiquilharias hippies e tranqueiras regionais que você leva para seus parentes a preços módicos. Ou então, produtos bem mais caros, literalmente para holandês ver. São 4 andares de lojas e mais lojas, para serem visitadas com tempo e paciência, coisa que já não tínhamos mais naquela altura do campeonato.

Mesmo assim, demos uma chance para o tal mercadão. Visitamos cada um dos andares, a procura de um abridor de côco para o pai do meu amigo e vendo o ambiente geral. Eu, que não estava a procura de nada, subitamente percebi que precisava procurar algo muito importante: um banheiro.

Após a compra da traquitana e muita camelada, conseguimos, enfim, achar o banheiro. Mesmo com a placa em diversas línguas, o gringo teria que ser corajoso para entrar ali. Não fedia, é verdade, contudo era perceptível que o local era utilizado deveras pelos locais, visto que o chão, meio molhado, estava todo sujo.



Ao me deparar com a cabine, mais uma supresa: não havia papel higiênico. O compartimento com o rolo que deveria estar ali, encontrava-se pendurado na parte de for a, fazendo as vezes de papel-toalha para quem lavava as mãos. Quase pego de calças na mão, tive sair e separar a quantidade necessária para realizar a operação.



E seu eu estivesse numa emergência, estaria realmente perdido. Uma vez lá dentro, tive muita dificuldade para trancar a porta, daquelas de plástico, que insistia em não encaixar corretamente. As paredes, também de plástico, além de não dar a privacidade necessária, eram utilizadas tanto como cinzeiros, como espaço para as já célebres pichações, bem contrastantes, aliás. Iam, do cristão “Jesus te ama” a uma bomba prestes a explodir. Para completar a cena, ainda havia um rodo que, so invés de ser usado para a limpeza do local, estava pendurado de cabeça pra baixo num dos cantos.



Considerando que o Mercado Central fora contruído especialmente para receber turistas, bem que poderiam ter tido um pouco mais de cuidado nos banheiros. De porcaria, já basta as coisas vendidas ali.

Cotação: 1,5 privadas*

*sendo 1 privada, péssimo e 5 privadas, ótimo!

quarta-feira, 25 de março de 2009

Beach Park, a 16 km de Fortaleza/CE


Só quem está de férias sabe como é bom poder acordar tarde numa deliciosa e quente segunda-feira de janeiro. Menos para quem está em Fortaleza e quer fazer todos os passeios possíveis e imagináveis em apenas 5 dias. Assim, lá fomos eu e meu amigo rumo ao famoso Beach Park, em mais uma excursão logo cedo pela manhã.

Dessa vez o caminho era mais curto, então em um pouco mais de uma hora já estávamos no local. Pelo caminho, o guia informava a todos como funcionava o Beach Park, perguntava a todos quem desceria e quem não desceria no Insano – principal atração do lugar, um escorregador do tamanho de um prédio de 14 andares – e o principal, que para entrar no parque aquático, cada um de nós teríamos que desembolsar 95 pilas. Considerando que estávamos precisando de um bom descanso devido ao ritmo acelerado daquelas férias, resolvemos ficar apenas no complexo e aproveitar a praia e o dia de sol.

Não sei se foi a melhor opção, mas certamente foi a mais barata. Na verdade, o lugar em si é bonito, mas bem sem gracinha. Além disso, os preços lá dentro estavam bem salgados, em relação a qualquer outro que visitamos até então. Sem muita escolha, ficamos bundando lá até a hora de voltar. E nisso de ficar bundando, percebi que precisaria fazer isso em um lugar mais apropriado. Assim, lá fui eu conhecer o banheiro principal do Beach Park.

Era um quioscão, cuja entrada era feita por um lance de escadas que vai para o subsolo. Na entrada, encontram-se as pias e o espelho. Entrando à direita, uns 2 ou 3 mictórios de cada lado e ao fundo, enfim, as cabines que eu tanto procurava.


Numeradas de 1 a 3, aquelas cabines fizeram que eu me sentisse na Porta dos Desesperados. Só faltou mesmo o próprio Sérgio Mallandro aparecer lá para me azucrinar para escolher uma. Ao tentar a porta nº 1, vi que o mesmo estava todo sujo; tentei a nº 2 já esperando que um gorila saísse de lá, mas só estava bem judiado mesmo. Sobrou a nº 3 que, sorte minha, estava em condições de uso.

A cabine era bem iluminada, devido ao pé direito bem alto do recinto. A parede estilo meia-barra dividia-se entre azulejos quadrados em tons de azul e a parede, também azul, com algum fru-fru decorativo que ficou meio brega. O vaso não comprometia; tampouco o papel, daqueles de rolo, porém acondicionado em um compartimento em forma de losango. Diferente, mas não necessariamente bonito.



Limpo no geral, o banheiro era mediano no geral, sem grandes novidades. Nada empolgante, bem como o próprio dia no Beach Park.

Cotação: 3 privadas*

*sendo 1 privada péssimo e 5 privadas, ótimo!

segunda-feira, 23 de março de 2009

Barraca “O Casqueiro” – Canoa Quebrada/CE



Motivos para visitar Canoa Quebrada não faltam. Um lugar onde você encontra belas falésias, dunas monumentais para descer de buggy e tirolesa, além de diversas barracas na areia da praia – praia essa tragada pela maré, que sobe absurdamente horas mais tarde e que parece querer engolir tudo o que estiver pela frente. Entre as diversas barracas, devidamente suspensas para evitar o avanço das águas, está a “O Casqueiro”, também conhecida como a “Do Símbolo”, ponto de encontro de nossa excursão.

O símbolo, formado por uma lua e uma estrela, é a marca registrada de Canoa Quebrada. Diz a lenda que um marroquino mandou esculpi-lo numa das falésias para se desculpar com Alá, pela esbórnia que fez naquelas terras durante os fanfarrônicos e alucinógenos anos 60. E o local onde esse ícone havia sido esculpido originalmente fora justamente próximo dessa barraca.

Voltando do passeio de buggy, chegamos com a maré enchendo e o estômago vazio. Assim, entramos na barraca e pedimos uma deliciosa moqueca de arraia, que ficou melhor ainda acompanhada de algumas caipirinhas. Foi nesse momento que me lembrei que tinha assuntos ainda não totalmente resolvidos desde aquela manhã, na Churrascaria Beberibe. E, após um “De novo?” abismado de meu amigo, fui até o banheiro.



Como praticamente todo o bar, o banheiro também era quase todo feito de madeira. Inclusive o seu chão, onde logo embaixo dava pra ver e ouvir o mar, que batia fortemente na falésia, logo atrás. Suas paredes, uma vermelha e outra laranja, não traziam exatamente o melhor esquema de cores para quem precisa de tranquilidade. O papel, daqueles de rolo, também não apresentava grandes novidades.

O movimento da maré constante fez com que tudo fluísse o mais naturamente possível. Na hora de descarga notei que o vaso era daqueles de caixa d’água, ecologicamente mais correto ou, puramente uma coincidência, devido à impossibilidade de se colocar uma com válvula. Simples, porém limpinho, pude terminar minha missão ali sem maiores delongas.



Cotação: 3 privadas*
*sendo 1 privada péssimo e 5 privadas, ótimo!

quinta-feira, 12 de março de 2009

Churrascaria Beberibe, a meio caminho de Canoa Quebrada/CE



Vida de turista não é fácil. Especialmente quando se quer abraçar o mundo, saindo para conhecer a vida noturna de Fortaleza, sem deixar de fazer os passeios no dia seguinte. Era com esse pensamento que eu e meu companheiro de aventuras esperávamos o ônibus da companhia de turismo às 7 da matina que nos levaria até Canoa Quebrada.

Um pouco mais longe que a praia de Cumbuco, o caminho até Canoa Quebrada serviu para recarregar as baterias, entre um cochilo e outro. Assim, quando o ônibus fez um pit stop na Churrascaria Beberibe, especialista em carne de avestruz, já estava mais que pronto para descarregá-las no banheiro mais próximo.

Passava das 8h30 e a parada era rápida; dessa forma, fui direto ao assunto. Parada de caminhoneiros e de excursionistas profissionais como eu, o recinto era um tanto quanto acanhado, mas no geral as instalações eram até arrumadinhas. De cara não gostei muito do rolo de papel na minha cabeça, nada prático. O cestinho, daqueles de plástico todo furadinho, dava um ar meio 80’s. Mesmo focado nos meus afazeres, percebi que um dos mictórios anteriores à cabine era bem mais próximo que eu imaginava. Porém, não imaginaria nunca que, de repente, haveria um pé quase que entrando por debaixo da minha porta.



Nessas horas, por mais que você esteja na vontade, a situação torna-se constrangedora. Não tem como ficar à vontade com um pé testemunhando tudo que eu estava fazendo ali. De qualquer forma, acabei terminando tudo de forma protocolar, com a sensação que poderia ter feito mais se aquele sapato não tivesse ali, me intimidando. Algo que se confirmaria mais tarde, naquele mesmo dia…

Cotação: 2 privadas*

*sendo 1 privada péssimo e 5 privadas, ótimo!

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Velas do Cumbuco - Praia do Cumbuco/CE



“Se o banheiro já está assim agora, imagina só no final do dia?”. Foi com esse cartão de visitas, dito por um pai que saía com o filho, que enfrentei o banheiro do Velas do Cumbuco, complexo de entrenimento e lazer, localizado entre as dunas da praia de mesmo nome, perto de Fortaleza.

Apesar do conforto do ônibus, acordar cedo e encarar duas horas de viagem não são mole, ainda mais com o DVD de Cláudia Leite que passava sem parar nas televisões do veículo, não nos deixando dormir direito. Pelo menos, num momento cultural, valeu para descobrir que, de acordo com as legendas em inglês de uma das músicas, enfiar o pé na jaca é “do all the no-no’s”.

Eram pouco mais de 9 da manhã e eu mais meu amigo de viagem estávamos prontos para pegar um passeio de buggy com emoção, parada para skibunda e tudo o mais oferecido aos turistas que vieram naquele dia conosco. A guia que nos trouxe controlava a turba, ajudando no fechamento dos pacotes, mas àquela hora da manhã já tinha algo em mim que começava a sair de controle. Assim, antes que eu fizesse feio em algum susto na descida das dunas, tratei logo de “do all de no-no’s” no banheiro mais próximo.



Realmente para o horário a limpeza não estava das melhores. Já tomado pela lama, o chão estava bem nojento. Parecia, na verdade, que o local tinha sido vítima de uma reforminha bem meia-boca, onde se trocaram os pisos, colocaram algumas pastilhas e olhe lá. Além disso, as instalações eram muito aquém do esperado, a começar pela porta da cabine que escolhi que não fechava, o que sempre pode resultar que alguém o pegue de calças na mão. Quem diria que passaria mais emoções no banheiro que no buggy?





Tenso e nada à vontade terminei o mais rapidamente possível e apertei a indefectível cordinha da descarga. Apesar de nada divertida, a experiência no banheiro lá em Cumbuco destoa do resto do complexo, onde pude passar o restante do dia sem maiores problemas e bem mais relaxado.



Cotação: 2 privadas*

* sendo 1 privada, péssimo e 5 privadas, ótimo.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Coco Beach - Praia do Futuro, Fortaleza/CE


Férias! Estava, enfim, na bela Fortaleza, onde passaria os próximos 5 dias conhecendo os principais pontos turísticos, baladas e, como não poderia deixar de ser, muitos banheiros. E, acompanhado por um grande brother que chegara dias antes, optamos por fazer a primeira parada de todo turista que chega à Capital do Sol: ir direto para a Praia do Futuro.

Para quem não conhece, a Praia do Futuro tem esse nome porque foi uma das últimas praias a serem ocupadas em Fortaleza. Fato que foi bem utilizado numa das propagandas dos empreendimentos da época, que tinha os dizeres “Venha morar na Praia do Futuro”. Depois disso, o nome acabou caindo na boca do povo e o resto é história, contada pelos guias locais. Hoje, a praia é conhecida pelas suas inúmeras “barracas de praia” , de infraestrutura impressionante, com restaurante, mesinhas à beira-mar, palco com banda ao vivo, piscina, espaço zen com massagistas à disposição, playground e muito mais. Entre esses, está o Coco Beach, onde resolvemos parar e passar o dia.



Ávidos por um refrescante mergulho, fizemos aquele reconhecimento básico do local e arrumamos logo uma mesinha na faixa de areia mesmo para fazermos os pedidos, afinal já passava do meio-dia e nossa fome ainda estava no horário de verão. Toda aquela emoção, de finalmente estar em terras cearenses, curtindo aquele sol, naquele clima gostoso mexeu com algo dentro de mim. E, antes que nosso baião-de-dois chegasse, decidi antes dar uma passada no WC.

Apesar do nome inspirador, os banheiros do Coco Beach não deixavam nada a dever a tantos outros, que já tive a chance de conhecer. Considerando a capacidade de pessoas atendidas no quiosque – era quinta-feira e estava lotado – o local, que tinha tudo para ficar num estado precário, repleto de areia e lama, estava apenas ligeiramente úmido. Construído com lajotas grandes, tanto no chão como na parede, tinha aspecto de novo. Suas cores, claras e em tons pastéis, ajudavam a iluminação natural que vinha do teto. Tudo dentro dele, da latinha ao porta-rolo do papel higiênico era de plástico, o que evita marcas de ferrugem ou o efeito da maresia.







Não era muito movimentado, o que me permitiu cuidar de meus assuntos de forma sossegada e sem pressa, bem ao ritmo do local. Com sunga e bermuda devidamente recolocadas, pude voltar todo pimpão e mais leve para a praia, levando uma ótima primeira impressão daquela singela e gigantesca “barraca”.



Cotação: 4 privadas*

*sendo 1 privada, péssimo, e 5 privadas, ótimo.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Aeroporto de Congonhas/SP



7 de janeiro de 2009. Último dia de trabalho, início das férias. Após um dia com surpresas até os 45 do segundo tempo na agência, deixo todos meus problemas para trás e saio voando para Congonhas, onde pegaria um voo para as quentes e deliciosas praias do Ceará.

Tal qual um passageiro modelo, cheguei relativamente cedo e fiz logo o check-in, me livrando assim do excesso de peso que carregava comigo. Com tempo de sobra para conhecer as depedências do aeroporto, fiz um happy hour com meu amigo Jack Daniels e percebi que havia mais alguns excessos de que precisava me livrar antes de embarcar. Destarte, lá fui eu conhecer os banheiros do local.

Construído nos anos 1940, Congonhas tem um certo charme em suas linhas e formas, que os aeroportos mais modernos de hoje não possuem. Além disso, por ser uma das pontas da ponte aérea Rio-SP, achei que suas instalações primassem pela limpeza e organização. Razões essas que me deixaram meio que decepcionado ao entrar lá.

Não que eu esperasse música ambiente, obras de arte ou algo assim. Mas o lugar em si é tão funcional quanto o de uma rodoviária. Além disso, ao entrar na primeira cabine que vi, desisti, devido a uma imensa poça d’água no chão, o que me fez mudar imediatamente para a do lado.



Essa, mais limpinha, apresentava um prático porta-objetos de granito, mesmo material que separavam as cabines umas das outras, onde pude guardar minha mochila com segurança, bem acima da minha cabeça. O papel higiênico era daqueles de rolo, também sem grandes frescuras. A porta, entretanto, me reservou vários motivos de distração, com diversas frases de efeito; as que tiravam sarro de sãopaulinos, bem como as clássicas, já comuns em vários banheiros. Havia até uma pixação mais artística do Pão de Açúcar, feita, por algum carioca saudoso de sua terra.







Talvez por toda a expectativa que reservava a um dos mais movimentados aeroportos do país, saí com a impressão que essa experiência poderia ter sido bem melhor.

Cotação: 2,5 privadas.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Caiu do Céu – Trindade/RJ



Nada como começar o ano ao lado de quem mais gosta. Assim, após passar a festa do Reveillón na charmosa Paraty, eis resolvi passar o primeiro dia do ano nas lindas praias de Trindade, cerca de 15 km dali.

Ah, Trindade. Outrora um tranquilo vilarejo onde hippies e pescadores viviam em completa harmonia, agora fora invadida por uma horda de turistas que se empoleiram nas dezenas de pousadas que tomaram a ruazinha principal. Após enfrentar um legítimo engarrafamento paulistano, finalmente cheguei à Praia do Meio com sede, fome e louco para achar um banheiro. Não por acaso, sentei nas mesas do quiosque “Caiu do Céu”.

Após saborear uma caipirinha feita com cachaça da terra, fui ao encontro do garçom e perguntei-lhe sobre as instalações do local. Solícito, o rapaz me disse que não havia banheiro masculino, apenas feminino, mas devido ao caso, abriria uma exceção.

Estava me sentindo um privilegiado. Como todos sabemos, o banheiro feminino é muito mais limpo que o masculino, portanto, garantia de uma ida sem maiores percalços. Porém, ao entrar e abrir a porta, a surpresa: não tinha assento!





Pobres meninas. Se dependessem daquelas quatro paredes, estariam perdidas. Tirando o assento, as instalações até que não deixavam muito a dever a qualquer outro lugar. A Iluminação era natural e a descarga era aquelas de cordinhas. Pelos azulejos e piso, parecia ter sido construído ou reformado há pouco tempo. Mas o espaço do local era realmente acanhado, o que dificultava o espaço de manobra, principalmente quando se está de cócoras.

Por sorte, pude concluir o serviço rapidamente, o que me evitou maiores estresses. Tenho que admitir que foi uma experiência nova realizar minhas necessidades à moda dos índios e, de quebra, fazer um bom trabalho de pernas. Contudo, é algo que, se puder evitar, não faria novamente.

Cotação: 2 privadas.

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Parceria Público-Privada



É, parece que o JCA (ou Já Caguei Aqui, para os mais desavisados) começa a crescer na web. Isso porque, após ser citado no site da M... Corporation, fechamos uma inédita parceria e agora os melhores textos desse blog podem ser lidos também no www.mcorporation.com.br.

Uma verdadeira Parceria Público-Privada que, na opinião desse humilde "cocô-laborador" tem tudo para dar M... no bom sentido, lógico!

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

O Confort WC do Frango Assado



O dia da festa da agência ainda me renderia mais uma grata surpresa. Voltando para o litoral lá pelas 4 da tarde, percebi que o café reforçado feito logo de manhã já estava fazendo efeito. Assim, antes de pegar a Imigrantes, passei no Frango Assado, rede famosa de lanchonetes, localizada em diversas estradas de São Paulo.

Por se tratar um estabelecimento que atrai, desde famílias até caminhoneiros 24 horas por dia, já imaginava que as instalações fossem grandes e limpas o suficiente. Inclusive era visível que o chão houvera sido limpo não havia nem 5 minutos antes e um gostoso aroma de pinho tomava o ar. Mas quando entrei, vi que esse banheiro tinha um algo mais. Entre as várias cabines à disposição, havia uma em especial que me chamou a atenção por ser, digamos assim, VIP: era hora de eu conhecer o Confort WC.

Inicialmente achei que fosse apenas uma cabina para deficientes físicos, mas não havia barras de apoio, nem nada. Na verdade é como se fosse um banheiro particular, com direito a pia dentro e tudo o mais, só para deixar o usuário totalmente à vontade.

Sei que existem muitas pessoas que têm problemas em fazer suas necessidades mais sólidas em banheiros, seja na empresa onde trabalha, seja em lugares públicos. Refletindo sobre o assunto enquanto estava por lá, cheguei a imaginar que aquela cabina funcionasse como algum projeto antropológico, oferecendo às pessoas mais tímidas um lugar naquele enorme banheiro para chamar de só seu.



Divagações à parte, a decoração dela em si é funcional e prática, da maneira que deve ser um local de tão grande movimentação. Ainda assim, a mesma é agradável e bem espaçosa, com uma iluminação natural, complementada por luzes indiretas. De qualquer forma, se tivesse um jornal ou uma revista, até poderia lê-los sem problemas, tamanha a calmaria.



Claro que a idéia poderia ser ainda melhor explorada, com alguns luxos a mais e um papel higiênico de melhor qualidade, aproveitando tudo que o nome Confort WC poderia proporcionar. Ainda assim, deixei o Frango Assado impressionado com a iniciativa e com a sensação de que não encontraria banheiro mais sui generis que este em 2008.

Cotação: 3,5 privadas.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Festa da Agência - Casa da Lua Cheia



Ah, o fim de ano. Época mágica, na qual festas, comemorações e motivos para celebrar se fazem presente. E na agência onde trabalho não poderia deixar de ser diferente. Assim, dia 20 de dezembro, rumamos todos lépidos e fagueiros rumo à grande festa da empresa, que realizar-se-ia na Casa da Lua Cheia, em Cotia, na grande São Paulo.

Apesar do nome fantasmagórico, mais apropriado, quiçá, para uma festa de Dia das Bruxas, o local era bem agradável, com uma ampla área aberta, piscina, quadra de futebol e, claro, banheiros, muitos banheiros.

Àquela altura da manhã, depois de degustar um delicioso café da manhã, confraternizava com alguns amigos, quando resolvemos conhecer melhor as depedências da casa principal. Em estilo normando, era decorada com móveis em estilo colonial e lareira, o que dava um ar de fazenda kitsch. Reparava nisso quando me deparei com o lavabo da residência, o que já me deixou cheio de idéias. E como me conheço bem, sabia que estas seriam logo realizadas.

Meia-hora mais tarde voltei, agora sozinho, ao local para uma segunda visita. Ao me sentar, achei curioso que haviam três rolos de papéis higiênicos colocados como se fossem enfeites no batente à minha frente, enquanto que no lugar onde deveria ter um não havia nenhum. Poderia ser uma grande oportunidade de oferecer três tipos diferentes de papel à escolha do freguês, mas minhas expectativas se mostraram altas demais: eram todos iguais mesmo.





O charme rústico mantinha-se no piso, enquanto nas paredes, azulejadas de cima abaixo quadrinhos de banheiras davam a possibilidade de alguma distração. Isso e a janela logo ao lado do vaso, na qual se ouviam alguma bossa nova na picape do DJ, além da algazarra de todos lá fora. Porém, nestas horas a concentração fala mais alta e fiz tudo sem maiores problemas.



Um banheiro que, de certa forma, me fez me sentir em casa, apesar de ser um local especial para eventos, como foi o daquele sábado de sol.

Cotação 3,5 privadas.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Píer do Chopp - Santos

Era um lindo sábado na cidade de todos os santos. O sol brilhava forte, o céu estava de um azul profundo e a brisa que vinha do mar nos refrescava do calor infernal que geralmente nos assola nesta época do ano. Entre os vários turistas que visitavam a Baixada, estava um grupo de amigos em visita. Eu, como um bom anfitrião, não poderia me negar a mostrar um pouco das belezas de Santos e as recebi à altura.

Assim, após pegar uma praia e uma visitar o Aquário Municipal, onde conhecemos os pinguins, o Nemo, o Macaezinho e diversas espécies de peixes, crustáceos e afins, rumamos ao Píer do Chopp, lugar privilegiado na Ponta da Praia, onde àquela hora era mais que perfeito para assistirmos a saída dos transatlânticos que saem pelo canal do porto toda semana.

Ao final de uma bela porção de lula à dorê, conversávamos tranquilamente numa mesa com a Fortaleza de Santo Amaro como testemunha, quando percebi que o local tinha potencial para algo mais. Era a natureza pedindo passagem novamente e não poderia me fazer de rogado: deixei a mesa e fui ao banheiro.

Não era a primeira vez que ia ao Píer, muito menos ao seu banheiro, dessa forma já esperava mais ou menos o que esperar. Porém, como era a primeira vez executando o número 2, fui obrigado a olhar o recinto com outros olhos. E realmente as instalações eram bem austeras. Por ser fim de tarde, o banheiro ganhava uma iluminação toda especial que vinha da parede vazada com aqueles blocos de vidro, o que dava um ar, digamos, mais intimista à ação que estava por vir.

A cabine em si era simples, formada pelos indefectíveis azulejos brancos que, dessa vez, não iam até o teto e sim, paravam nos detalhes de madeira do bar. O sistema de papel higiênico também era interessante, pois não era à base de rolo. A partir de uma espécie de mini papéis-toalha, tinham a mesma textura de papel higiênico e eram retirados de um suporte colado na parede. É um sistema que certamente evita desperdícios, contudo, pode ser problemático em casos mais extremados. Triste fim mesmo teve o antigo porta-papel que, destruído, acabou virando um cinzeiro, onde jaziam várias queimaduras de cigarros.

O barulho do mar batendo nas pedras e a maresia tornavam as coisas ainda mais naturais, o que me estimulou a terminar sem demora as atividades. Voltei à mesa tranquilo e certo que poderia fazer uma visita ali novamente, sempre que precisar.

Cotação: 3,5 privadas.

PS: em breve fotinhas do local.
PS2: videogame que já não sabia jogar patacas, substituído pelo PS3, que devo saber menos ainda...

segunda-feira, 3 de novembro de 2008



O fim de semana do Grande Prêmio do Brasil de Fórmula 1 não rendeu fortes emoções apenas dentro da pista. Fora dela, nas idas e vindas do autódromo nos treinos classificatórios de sábado, tive a oportunidade de levar a concorrência entre dois dos principais hipermercados do país a um lugar inusitado: o banheiro.

8h30. Eu mais um amigo da agência onde trabalho fomos até o Carrefour ao lado da estação Granja Julieta, para deixar meu carro no estacionamento e seguirmos de trem para Interlagos. Além de ser uma mão na roda (sem trocadilhos) pela segurança, podemos seguir tranquilos e sem trânsito. Lá esperávamos outro amigo, que retardatário (agora com trocadilhos), ainda não chegara, quando resolvi fazer o primeiro pit stop do dia.



O banheiro em si, é como aqueles padrão de qualquer hipermercado, com seus indefectíveis azulejos brancos, espelho grande, cabines e mictórios à disposição. Pelo horário, pensei que a cabine onde entrei estaria limpa e cheirosa, contudo, já dava mostras que estava bem judiadinha. A lata de lixo estava repleta de papel e, logo em frente ao vaso, era visível uma pocinha de usuários, digamos, sem pontaria. Arrear as calças era uma operação delicada, o que realizei com o profissionalismo, garbo e elegância que me é peculiar, evitando seu contato com o solo fétido. Para completar, o papel higiênico também era do estilo lixa, bem vagabundo.

A visita não rendeu tanto quanto eu esperava e saí de lá rapidamente, ligeiramente mais leve. Apesar de toda a estrutura, fiquei um tanto quanto decepcionado com o local.

Carrefour
Cotação: 2 privadas.

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18h05. Voltando a Santos, satisfeito após o show de Felipe Massa na conquista da pole position, aproveitei para abastecer o carro para o dia seguinte no Extra. A gasolina lá é mais barata e tinha que comprar alguns quitutes para o domingo, o que unia o útil ao agradável. Para completar, tinha assuntos não resolvidos desde a manhã no Carrefour e achei que seria uma bela oportunidade de conhecer o banheiro do concorrente.



Naquele dia, o movimento estava insuportavelmente cheio dentro do hipermercado, o que me tirou a paciência para procurar qualquer coisa e enfrentar as filas quilométricas só por causa de um desodorante e um suco de caixinha. Assim, para não dar visita por perdida, fui direto ao banheiro.

Assim como no primeiro pit stop do dia, as características do recinto também não apresentavam nenhuma novidade. Porém era um pouco maior, com uma parede que dividia as pias e os secadores para as mãos das cabines e mictórios.

Mesmo com o alto fluxo de pessoas, o banheiro permanecia sem maiores odores. Aliás, parecia até que alguém havia acabado de passar um pano úmido na região das pias e mictórios. Dentro da cabine, tudo era simples e funcional, podendo realizar os trabalhos sem maiores problemas, mesmo com todo o movimento que ouvia lá fora. O papel higiênico também era simples, mas de melhor qualidade. Para passar o tempo, podia ainda me deleitar com todas a pichações que haviam na porta, transformada em um verdadeiro mural de homens oferecendo-se para aventuras sexuais, ou pensamentos já consagrados, encontrados apenas naquele momento solitário:





Aliviado e com a alma mais leve pela leitura filosófica, quiçá, antropológica na porta de banheiro, dei a bandeirada final no dia para me preparar para a histórica corrida que me aguardava em Interlagos.

Extra
Cotação: 3 privadas.